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Canto para Minha Morte

22 julho, 2005

(Raul Seixas)

Eu sei que determinada rua que eu andei
não tornará a ouvir o som dos meus passos
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos e que nunca mais eu vou abrir
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa pode ser que essa
pessoa esteja me vendo pela ultima vez
A morte, surda, caminha ao meu lado e eu nao sei em que esquina
ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque
Na musica que eu deixei para compor amanha?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando Embora eu ainda nao a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e nao desejo,
mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu nao escolhi na vida?
Existem tantas… um acidente de carro.
O coração que se recusa a bater no proximo minuto
A anestesia mal aplicada.
A vida mal vivida, a ferida malcurada, a dor já envelhecida
O cancer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe
Um escorregao idiota, num dia de sol, a cabeca no meio-fio…
Oh morte, tu que es tao forte,
que matas o gato, o rato e o homem
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu porque eu continuarei neste homem
Nos meus filhos, na palavra rude que eu disse para alguem que nao gostava
E até no uisque que eu nao terminei de beber aquela noite…
Vou te encontrar vestida de cetim,
pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e nao desejo,
mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida Morte, morte, morte
que talvez seja o segredo desta vida

Comentários :
————————————————————
[Patty]
Não comento mais…enguanto nõa ver uma letra que minh’alma se encante …me recuso a comentar… ps: tá fácil, muito fácil encantar, basta não cer a dica com cara de fim….’basta ser sincero e desejar profundo’.

23/07/2005 24:02

[Ma]
Raul é muito bom…

22/07/2005 15:15

[Trotta]
Pô cara, que bizarro! Eu não gosto de modernistas mas gostei daquela citação mais abaixo. Não gosto de Raul mas paguei um pau pra essa letra! Quer dizer, aposto que a melodia deve ser muito ruim, mas preciso rever meus conceitos, hehehe!

22/07/2005 12:26

RESPOSTA:
Não têm bem uma melodia! Ele mais recita! Mas rever os conceitos é sempre bom!!!

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