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Cena de filme

14 setembro, 2006

Acho que é um bom motivo e momento pra postar isso aqui…

Cena de filme – A separação

Entram pela sala apressados uma mulher puxando seu filho pela mão…
Uma senhora de aparência simples, porém de semblante severo os recebe com um ar de poucos amigos indica que ele está (dando a entender que ele não está bem).
Apesar de notar a aparência da senhora há uma ligação de cumplicidade neste momento entre ela e a mulher que têm o filho à tira cola.
Um homem saindo de um quarto ligado a sala entra cambaleando e gritando.
Todos vão aos gritos para a cozinha por um estreito corredor pegar um caderno e começam a escrever algo que a criança apesar de já saber ler não entende muito bem.
A criança assiste a tudo meio perplexa, não entende muito bem o motivo de estarem ali, nem o por que da gritaria… O medo paira no ar.
A atmosfera é pesada e rapidamente a cena se desloca da cozinha pelo corredor e volta pra sala com uma corrida em fuga da mulher.
Neste momento a mulher é alcançada pelo homem que a derruba com um soco nas costas.
As cenas ficam desfocadas neste momento… Flash’s aparecem sem ordem aparente:
O homem montado em cima da mulher lhe dando bofetões
A mulher de costas para o homem gritando de dor e o homem lhe arrancando um tufo de cabelo.
Até o momento que aparentemente acordando de um sonho ruim o menino pula em cima de seu pai. Desesperado ele tenta desvencilhar o Pai dos cabelos da Mãe… Gritando e pedindo para parar.
Num movimento rápido de braço o Pai atira o menino contra a parede oposta onde este fica… Parado e sem ar pela força do arremesso.
A cena fica em câmera lenta todos perplexos com o ocorrido, apesar de ser nítido que o homem não têm consciência de seus atos até mesmo ele para, a senhora que assistia a tudo chorando finalmente se manifesta de maneira mais ativa gritando com o homem que por um momento recua a fica sem saber o que fazer.
Rapidamente a Mãe e o menino correm para o quarto que dá na sala e trancam a porta…
Ouve-se gritos do lado de fora do quarto… Um barulho estranho de alguma coisa pesada sendo lançada no sofá… De repente a porta começa a ser esmurrada, o homem ameaça derrubar a porta, está agora mais enfurecido do que nunca. Mas apesar de seus esforços a porta parece ser bem resistente.
Silencio na porta do quarto por um segundo, os murros e gritos param… Dá para ouvir a porta da sala se abrindo e os gritos de ódio voltam a tona…
O homem decide tentar a janela, rapidamente a mulher corre e consegue trancar a janela antes do homem conseguir chegar até ela.
OS dois (Mãe e filho) se encostam na parede oposta à janela como se as mãos do homem conseguissem passar pelo vidro, pela armação de metal da janela e atravessas o quarto inteiro e conseguir tocá-los.
Ódio é a única coisa que se vê no rosto do homem, não dá para reconhecê-lo.
Num ultimo ato de loucura, frustrado aparentemente por não conseguir chegar até a mulher e o menino ele dá um murro no vidro.
Seu braço entra jorrando sangue no quarto… Ele tenta alcançar os dois, mas o braço não consegue avança mais do que isso está até o cotovelo para dentro do quarto…
Aparentemente sem sentir dor ele retira o braço dos estilhaços do vidro da janela e sai, desiste de continuar, não pelo braço que pinga sangue, mas parece que a moral do que aconteceu finalmente o atinge… Cambaleando ainda e chorando com sigo mesmo, falando consigo mesmo ele deixa a casa e sai rua abaixo…
Mãe e filho atônicos ainda abrem a porta e se deparam com a senhora, pálida e tremula à porta que pede por favor para eles saírem e irem embora o quanto antes. Antes que ele volte…
A mulher pega os papeis e os dois saem…

Está é uma cena que aconteceu… No mundo real, meu passado.
Não postei por que isso me machuque mais. Mas acho relevante para as outras pessoas poderem me conhecer. Afinal isso é uma das coisas que aconteceu comigo, ajudou a me formar, meu caráter…

Na minha adolescência eu tive uma relação até que boa com meu pai. Ele chegava a ser uma pessoa muito legal quando estava bem, e sem beber.

Meu Pai já morreu, não faz tanto tempo assim…
Quando ele morreu eu já tinha me afastado dele outra vez…
Não me sinto culpado… Não fiquei triste…

Volto a dizer não postei está história por me machucar ainda nem por nada assim…
Li em outro blog e decidi compartilhar…

Comentários :
————————————————————————
[Rodrigo]
Como disse.. Isso Passou! Não é mais! Tive uma relação com meu pai até que boa durante uma epoca importante que foi minha adolecencia… E hoje tb ele não existe mais neste mundo… Então é tudo passado… Escrevi por que o texto do Tico(Claro que nunca!) me inspirou a escrever está parte da minha história.

18/09/2006 21:17

[Ma]
No início do texto, até achei que seria uma historinha fictícia… é uma pena as coisas terem acontecido dessa forma… é muito triste… Te amo… estarei sempre a seu lado… Beijos!

18/09/2006 18:51

[aline] [www.euchegola.blogspot.com]
caramba….li como se não houvesse amanhã, saca? me prendeu de uma tal forma…infelizmente a bebiba destrói a vida de taaaaaantas pessoas…ainda bem que vc não se deixou estragar..bjos..

17/09/2006 16:32

[Tamia] [tania_coutinho@netcabo.pt] [http://tsecrethide.blogspot.com]
Fogo… Nem sei o que dizer… como é que está tão vivo em ti tudo aquilo que sentiste, que viste e que te aconteceu. Eu sei que é difícil ultrapassar um momento de tão grande violência, mas passado um tempo fica a passividade perante quem foi causador de tanto ódio. É estranho como alguém que é teu pai, de um momento para o outro passa a ser outro qualquer, uma pessoa que não te diz respeito, uma pessoa que apenas existe. Beijo grande!

17/09/2006 10:12

[Menina-prodígio] [http://meninaprodigio.blogspot.com]
Puxa…

15/09/2006 17:33

[Trotta]
Puxa, eu também não sabia dessa história com tantos detalhes… mas é realmente complicado. Que bom que vc não cresceu violento, Bôde. É só o que posso pensar em dizer no momento! O.o

15/09/2006 15:13

[Ricky]
Não tenho parametros para comentar. Tive 3 amigos com histórias tristes de pais.

14/09/2006 19:27

[Claudia Lyra] [loucaporblog.blogspot.com]
Difícil comentar… só sei que fico tocada com esses relatos: seus, do Tico… Mundo ruim em que as crianças sentem medo dos próprios pais.

14/09/2006 16:59

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