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Viagem de Moto

18 junho, 2007

Saída de casa, abastece a moto e pé na estrada.

Sexta-feira, dia 15, às 16h30min, saímos do posto perto de casa.

Desce a Sena Madureira, passa em frente ao Ibirapuera e vai até a Juscelino, finalmente desembocando na Marginal Pinheiros.

E segue viagem… Cai na Rodovia Bandeirantes. E aí sempre na pista da direita, incrivelmente sendo respeitado por ônibus e caminhões passantes.

Quando eu falo que comprei uma moto para aprender, e que ela não corre, isso é a mais pura verdade. O máximo que consigo pegar de velocidade, e isso urrando e chegando perigosamente perto de 10.000 RPM (zona vermelha de rotação), é 100 Km/h.

Então assim segue a viagem… Os 60 km andados tendo passado o primeiro pedágio (sem pagar por que moto não paga pedágio), o bumbum não agüentando mais e gritando por uma parada é atendido. Paramos em um posto só mesmo para esticar as pernas e aliviar as poupanças. Ainda estava claro a esta altura da viagem.

Voltamos para a estrada e continuamos, mas agora já escurecendo; chegamos ao segundo pedágio da Bandeirantes com a noite a nos acompanhar e a velar por nós.

Realmente era uma noite bonita, sem quase nenhuma nuvem e muitas estrelas.

E o farol original da moto, ao contrário do que li na internet, ilumina bem; mas em uma rodovia, as luzes de caminhões e carros constantes iluminam mais do que a própria luz da moto.

Chegamos a Campinas e à Rodovia Dom Pedro_ que serve só para dar a volta em Campinas e chegar a Rodovia Aldemar de Barros, onde nosso caminho realmente reside… Passamos por Jaguariúna, a rotatória que dá acesso a Holambra e, chegando a Mogi – Mirim, onde existe um posto com uma lanchonete muito boa, nós paramos.

Para quem passar por lá vale a dica de comer um quibe que normalmente é frito toda hora e super saboroso.

Depois de devidamente comidos e mais aliviados continuamos, decidimos não abastecer ali e seguir até o próximo posto BR. Passa Mogi-Guaçu e nada de um posto BR. Chega o ultimo pedágio da Aldemar e chegamos a Aguaí, São João da Boa Vista e Águas da Prata (a parte da viagem que mais me preocupava, afinal de São João a Águas da Prata a pista é mais estreita e mão dupla); mas mesmo ali não pegamos trânsito e só dois carros passaram por nós, sem nenhum transtorno.

Um PS: chegando a São João, a moto reclama e mudei a chavinha do combustível para a reserva. Já que estamos na reserva o mais recomendável é abastecer, nem que seja só alguns litros para terminar de chegar em segurança; e em Águas da Prata nós paramos e colocamos uns 3 litros e pouquinho.

Chegamos, depois de passar pelo último pedágio da viagem, à segunda parte que me preocupava da viagem: a serra para chegar a Poços de Caldas.

A moto me surpreendeu bem aqui: eu esperava que tivesse que reduzir para a terceira, mas consegui subir a serra toda em quarta e sem urrar a moto ou forçar.

Faltou ressaltar o vento que passamos e o frio… Não sei se por causa da noite ou pela hora, mas ventou muito durante toda a viagem, um vento frio e gelado, às vezes chegando a balançar o capacete.

Finalmente chegamos a Poços, após 260 Quilômetros percorridos (isso, é claro, só até o portal de entrada da cidade; 12 km depois chegamos à cidade propriamente dita e à escola onde minha mãe dá aula), às 21 h. Quase no mesmo instante em que paramos o telefone tocou… Era meu avô já preocupado comigo (eu não liguei e nem avisei ninguém que iria mais cedo e muito menos que iria de moto). Disse que estava tudo bem e que já estava chegando a Poços.

Encontrei minha mãe e foi um festival de xingamentos e sorrisos pelo meu súbito e prévio aparecimento que não era esperado, a não ser horas mais tarde, e pelo fato de estar de moto, claro.

Aí foi um final de semana normal de Poços: ficar com os avós, conversar, contar, ouvir, rir… A coisa melhor do mundo é poder chegar a Poços um mês depois de ter estado lá e ver o amor e a saudades de cada um dentro dos olhos.

Ver isso nos olhos deles, do meu avô Tonho, da minha avó Dália, da minha mãe… Isso balança; chega a doer no coração ir só uma vez por mês vê-los.

Chega o domingo e a viagem de volta pra São Paulo. Saí da casa dos avós às 15h30min e fui pro Ap. da mãe. Saí de lá às 16h30min sem arrumar o problema no micro dela e fui pra casa da Má, mais uma hora lá para arrumar e definir coisas do casamento (convites e afins). Finalmente sair, abastecer a moto e vir embora para São Paulo.

Abasteço e vamos indo quando vejo que esqueci de colocar luvas, paro e coloco as luvas sem dedos (tenho duas, uma sem dedo e outra pra mais frio com dedo).

E tocamos viagem… A descida da serra foi tranqüila. Chegando a Águas da Prata, parada estratégica para fechar melhor a jaqueta e colocar blusa_ e também constatar que perdi a luva esquerda de frio. L

E assim segue a viagem… em alguns momentos um vento frio quase chega a cortar a alma.

Não sei se por ter acostumado ou ainda estar meio anestesiado, mas a retaguarda agüentou bem mais e só fomos fazer a primeira parada em Mogi-Guaçu, 140 km rodados. Banheiro e chocolate e volta para a estrada. A viagem sempre parece que vai melhor na volta do que na ida, mais rápido e mais tranqüilo…

E, cidade após cidade, vamos passando. Após Campinas paramos de novo, desta vez só para aliviar a poupança e esticar as pernas. Aqui cabe uma ressalva importante, a Má pergunta se não vou abastecer, afinal é um posto Br e andamos mais da metade da viagem. Eu falo que não: primeiro, por achar que voltando a moto conseguiria fazer um consumo melhor do que indo pelo simples fato de ser descida; e segundo, pelo fato de não ter chegado ainda na reserva. E assim seguimos viagem.

Passamos o primeiro pedágio de volta da Bandeirantes e quase no segundo pedágio resolvemos parar num novo posto/parada Graal, mas ao parar vemos que ainda não está realmente pronta a lanchonete nova, mas fomos à lanchonete de caminhoneiros que existe ali. A Má vai ao banheiro e eu fico só descansando e esperando junto à moto. Desta parada as placas mostram que falta pouco para São Paulo, só 17 km. Novamente fica a ressalva da Má, querendo que eu abastecesse; aqui eu só não quis abastecer pelo fato de pensar que ainda tinha a reserva inteira (que são 2 litros de combustível), o que é mais do que suficiente para chegar a São Paulo e em casa_ do final de Bandeirantes até meu Apê tem mais ou menos 25 km. Subimos na moto e chegamos a São Paulo. Chegando na Marginal Pinheiros, o susto: a moto começa a falhar.

Muda a chave do combustível e nada da moto funcionar, pelo contrário, aí que ela pára; vira novamente a chave, e a moto volta a funcionar. Seguimos pela marginal interna com a moto engasgando, rezando para chegar à ponte do Jaguaré, região que conheço e sei onde existem postos para abastecer a moto.

Passamos por favelas com a moto engasgando e a uns 2 km da citada ponte a moto morreu de vez.

Aí foi empurrar a moto, ouvindo as insistentes reclamações da Má dizendo: “Eu te disse, Eu te disse, Eu te disse!”.

Até que fomos rápido… Uns 10 a 15 minutos empurrando a moto e depois de passar por dois postos fechados, chegamos a um aberto. Mais 4 litros e pouco de gasolina na moto e ela voltou à vida. O bom disso é que o frio passou! Até suado eu fiquei.

Chegamos em casa cansados, com 625.5 Quilômetros rodados e quase 5 horas de viagem, às 22 horas.