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A Cabeça do Brasileiro

24 setembro, 2007

Brasileiro de menor escolaridade tolera mais corrupção e tem menos valores cívicos, afirma o cientista político Alberto Carlos Almeida.

“A sociedade brasileira temos governantes que merece”

O livro “A Cabeça do Brasileiro”, do cientista político Alberto Carlos Almeida, está causando polêmica por jogar sobre os ombros dos brasileiros, principalmente os de menos escolaridade (portanto, também os de menor renda), a responsabilidade por quem são, como são e o que fazem seus governantes.

Fruto de uma extensa pesquisa de opinião sobre o que pensam os brasileiros sobre vários temas, a obra aponta os menos instruídos como a principal fonte de apoio a práticas como corrupção pública e punições ilegais, como linchamentos e assassinatos cometidos pela polícia. Também mostra que, para os menos instruídos, que são maioria, não é errado user um cargo público em proveito próprio.

A seguir, trechos da entrevista concedida ao Destak por Almeida. Ele lança sua obra na próxima quinta-feira, às 19 hs, na livraria Saraiva.

Qual o resultado fundamental da sua pesquisa?

Vários estudos já mostraram que há enorme desigualdade de renda no Brasil e isso é fortemente correlacionado com a escolaridade. Quanto maior a escolaridade, maior a renda. Da mesma forma, existe uma enorme diferença de valores e mentalidade. Quem tem escolaridade mais baixa tem menos valores cívicos e republicanos. Quem tem o curso superior completo é menos autoritário, menos hierárquico, mais liberal sexualmente etc. Há uma distância monumental.

Qual a conseqüência disso?

Veja a história recente. Os movimentos que queriam uma solução institucional/legal para algum problema saíram da classe média: Anistia, Diretas Já, imeachment do Collor. Não há nada semelhante que tenha vindo das pessoas de escolaridade mais baixa, porque elas têm menos civismo e republicanismo.

Segundo a pesquisa, pessoas de menor escolaridade toleram mais a corrupção. Isso explica por que político corrupto é reeleito?

Sim. A sociedade tem os governantes que merece. Como o brasileiro tolera a corrupção, há muitos escândalos. Na medida em que haja menos tolerância, a corrupção vai diminuir. Temos de mudar a sociedade se queremos mudar a forma de governar.

Ou seja, se quisermos mudar a ética da política, temos de mudar a ética de grande parcela da população?

Sem dúvida. E isso demanda um enorme esforço educacional. Caso a escolaridade da maior parte da população aumente, o Brasil tenderá a formar uma grande classe média. A escolaridade já está aumentando. O livro prevê, portanto, que no futuro teremos mais pessoas contra a corrupção, contra o Estado na economia, contra o racismo, contra as punições ilegais etc.

O seu livro tem provocado muita polêmica. Por quê?

Existe no Brasil o que eu chamaria de idealização dos pobre, que são de menor escolaridade. Os pobres são revestidos de uma aura de santidade, de uma enorme “riqueza simbólica”. Com os dados do livro, quem idealiza os pobres está chocado, mas não pode dizer isso.

 

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Fábio Santos
fsantos@destakjornal.com.br

Retirei essa matéria na integra do Jornal Destak. Eu achei bastante interessante, e você?

Sinopse do Livro
Resultado de uma pesquisa que tenta desvendar o perfil do brasileiro, este livro vai dar o que falar. A partir de dados estatísticos de excepcional amplitude, o autor apresenta conclusões que mostram como somos um país ainda conservador e preconceituoso. E faz as seguintes perguntas para pessoas de diferentes grupos sociais: deixar alguém passar à frente na fila é jeitinho, favor ou corrupção? Um empregado deve se dirigir ao seu patrão por “senhor” ou por “você”? Empregados de edifícios devem utilizar o elevador social ou o elevador de serviço? A masturbação é uma prática sexual aceita ou rejeitada? A lista é longa, e a maioria das respostas é oposto do que se imagina, mostrando que o Brasil é complexo, mas não incompreensível.

Meu Comentário:
Sem duvidas, este texto leva a uma reflexão, mas mesmo o tipo de criação e os valores morais ensinados são relevantes, afinal, nem só de operários é formada a nossa política nacional.
Temos filósofo, Advogados e médicos, e a grande maioria corrupto, corruptível e o pior corruptores.