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Insatisteitos

22 outubro, 2007

Insatisfeitos, 2 milhões se demitem todo ano

Cerca de dois milhões de profissionais no mundo inteiro deixam seus empregos ao ano por não se considerarem valorizados nas empresas que trabalham, segundo um levantamento da Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos.

Com a demissão desse pessoal e os gastos com a perda de mão-de-obra especializada, as empresas do mundo todo, segundo a Universidade, chegam a ter um prejuízo de US$ 64 bilhões por ano (o equivalente a três vezes o orçamento anual da cidade de São Paulo).

Segundo o jornal “Valor Econômico”, que entrevistou a professora de ensino executivo de Pittsburgh, Audrey Murrell, boa parte dos investimentos realizados pelas empresas é jogada fora poruqe não se consegue reter os profissionais. “As pessoas estão cada vez mais insatisfeitas com as empresas e o trabalho”.

Problemas como esse, segundo ela, poderiam ser atenuados se houvesse um programa de “mentoring”, ou seja, de desenvolvimento de habilidades mais eficiente dentro das organizações. “O processo detecta o problema e ataca”.

EMPRESAS PERDEM US$ 64 BI COM EXECUTIVOS INSATISFEITOS – Audrey Murrell: boas práticas de “mentoring” atraem talentos e criam um ambiente favorável

A insatisfação no ambiente corporativo provoca a saída de executivos e grandes perdas, financeiras e estratégicas, para as companhias. Estimativas apontam que cerca de 2 milhões de profissionais no mundo inteiro deixam seus empregos ao ano por não se considerarem valorizados nas organizações, representando um prejuízo de US$ 64 bilhões. Na opinião da professora de graduação e ensino executivo da Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos, Audrey Murrell, problemas como esses poderiam ser atenuados se houvesse um programa de “mentoring” (desenvolvimento de habilidades) mais eficiente dentro das organizações. “Isso permitiria entender o que motiva as pessoas, seus desejos e objetivos”, defende. Audrey esteve em São Paulo semana passada para participar de um seminário promovido pela Career Center, consultoria especializada em gestão de carreiras, e pela Universidade de Pittsburgh. A professora está escrevendo um livro sobre a IBM, em que analisa o sucesso do modelo adotado pela gigante de tecnologia. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor.

Seu livro fala de assuntos como o relacionamento entre funcionários e a empresa. Que mudanças estão ocorrendo?

Noto que os funcionários esperam muito das organizações. Mas isso está mudando. Os gerentes precisam fazer mais, ser um referencial para que haja um ambiente positivo de trabalho. O relacionamento dentro da empresa é um fator crucial e o líder deve ser a figura -símbolo que contagia toda a corporação e mantém o clima de respeito. Só assim a empresa consegue crescer. As melhores empresas para se trabalhar se destacam exatamente por isso.

Que fatores contribuem para que se diferenciem?

As boas práticas acabam atraindo talentos, ao mesmo tempo em que criam um ambiente favorável para quem está em níveis hierárquicos mais baixos. Os funcionários se sentem mais reconhecidos. Os reflexos se convertem em ganhos para as companhias e até para suas ações no mercado. As companhias precisam avaliar essa onda de insatisfação que atinge empregados no mundo inteiro.

Essa insatisfação afeta algum setor específico?

Ela atinge todas as indústrias, mas particularmente as empresas de tecnologia da informação. Em TI, o que mais motiva é o caráter inovador da companhia. As pessoas querem desenvolver novas tecnologias, participar de novos projetos. É aí que a IBM se destaca. A Big Blue construiu um programa de “mentoring”, comandado por pessoas mais seniores. Elas dividem o conhecimento técnico, as metodologias adotadas e os processos para o desenvolvimento de novos produtos.

O que diferencia o programa de “mentoring” da IBM?

O “mentoring” não está ligado só ao trabalho de ajudar as pessoas em suas habilidades e sim entender as características de cada indústria e perceber o que mais motiva o funcionário fora compensação financeira. A maioria das empresas pensa que o “mentoring” se restringe à tarefa de auxiliar o outro a se desenvolver, mas também deve estar relacionado à inovação e transferência de informação.

Qual o fator de sucesso desse modelo?

A principal vantagem do programa da IBM em relação ao das demais empresas é que ele se estende a todos na organização, incluindo novos empregados e aqueles que estão sendo preparados para assumir cargos estratégicos. Eles foram ainda mais inteligentes quando contratam gente com experiências diferentes da área de tecnologia.

Hoje há escassez de talentos em vários setores da economia. Como as empresas lidam com isso?

O mais complicado é lidar com a aposentadoria de executivos do alto escalão. Há um número significativo de profissionais que devem sair nos próximos três anos do mercado. Só nos Estados Unidos é esperado que, em cinco anos, 75 milhões de pessoas se aposentem, enquanto só há 30 milhões de profissionais disponíveis para ocupar as vagas. Também vejo uma grande dificuldade das empresas em substituir essas pessoas.

As empresas têm consciência desse cenário?

Têm, mas esquecem que outro problema preocupante vai afetá-las. No mundo todo os prejuízos com a saída de funcionários treinados pelas organizações são enormes. Boa parte dos investimentos realizados é jogada fora porque não se consegue reter os executivos. Estima-se que as organizações têm prejuízos de US$ 64 bilhões com os cerca de 2 milhões de funcionários que deixam seus empregos todos os anos, de forma voluntária.

E qual a razão desse fenômeno?

As pessoas estão cada vez mais insatisfeitas com as empresas e o trabalho. Elas se sentem frustradas com o que estão fazendo e se consideram pouco valorizadas. Um “mentoring” bem estruturado pode mudar isso, porque você não só detecta esses problemas, como os ataca. Uma de nossas pesquisas com mulheres asiáticas e latino-americanas mostrou que elas passaram a ganhar mais ao longo da carreira, após um trabalho de “mentoring”. Para se ter uma idéia, se compararmos com as profissionais sem esse acompanhamento, tiveram ganhos anuais entre US$ 10 mil e US$ 12 mil.

No caso da IBM, eles conseguem reter talentos, mesmo com o vaivém grande de profissionais na área de tecnologia da informação?

Dados da empresa revelam que o índice de retenção é alto. O segredo da IBM é que ela se antecipou às necessidades do mercado e percebeu que salário e bônus nem sempre são os fatores mais importantes na retenção dos profissionais de TI. Eles querem aprender novas tecnologias, desenvolver softwares de ponta. Precisam disso para evoluir na carreira.

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2 comentários

  1. Esse post é para ilustrar seu momento trabalhístico?
    risos…


  2. Pãtz! Isso é pra lá de assustador, não?



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