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Cidade de Interior

21 novembro, 2007

Existem coisas que nem todo mundo já teve oportunidade de viver.
E por este mesmo motivo, muitas vezes acham isso estranho e um tanto quando indelicado. Para aqueles que conhecem ou visitam familiares em Cidadezinhas do Interior essa realidade não é desconhecida.
Nestes locais é comum se passar pelas pessoas e cumprimentar, receber resposta do comprimento, perguntar-se de onde veio, para onde está indo, com quem está, etc…
Isso não é se intrometer, nessas cidades, é cuidado com o visitante, é como se fosse uma maneira de se ser carinhoso, ou melhor, receber carinho estendido a você, vindo do carinho que as pessoas nutrem pelos seus parentes do local.
É um zelo que nas grandes cidades não existe mais, afinal estamos todos tão apressados, não conhecemos nem nossos vizinhos do andar do prédio. Faça um teste: você conhece o nome do servente do seu prédio? Do seu serviço? Do seu vizinho do lado? Se a resposta for não, se pergunte: por quê?
É verdade que sendo maiores, tem pessoas de todo tipo, vindas de todas as partes. Mas nos micro universos por que não conhecer as pessoas?Ter um cachorro me mostrou que isso está dentro de todo mundo, mesmo nas grandes cidades; é impressionante como pessoas se relacionam enquanto seus cachorros se cheiram.
Volta a ter o cumprimento, uma conversa, uma troca de informações.

– Olá! Tudo bem?
– O pelo do seu cachorro está tão bonito! Você está dando alguma vitamina? Passa o nome!
– Qual ração você dá pra ele?

Não há nem uma troca de nomes entre os donos, mas sim dos cachorros.

– Qual é o nome da sua? É ela né? Que bonitinha!!!

Talvez pelo constrangimento da situação isso aflore tão naturalmente, afinal ter seu animal de estimação cheirando as partes íntimas de um outro enquanto você se depara com um estranho, se não houver um diálogo, fica só um silêncio constrangedor.
Mas é muito, mas muito raro mesmo você encontrar algum dono de cachorro que não queira papear, eu mesmo nunca me deparei com um tipo que não trocasse pelo menos um Olá.
No caso a extensão do carinho vem pelo simples fato de seu animal ser amável ou bonito.

Mas me faz questionar, afinal a única coisa que mudou foi a inclusão de um animal de estimação, o que isso faz para quebrar essa barreira?
Queremos mesmo essa barreira? Do que você quer se proteger quando não fala bom dia para seu vizinho? Quando não cumprimenta o porteiro pelo nome?

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6 comentários

  1. Ah, eu quero essa barreira, inclusive uso fones também por causa disso. Não sou um ser social.

    Mas ter cachorro é ter uma seita. Por isso que vcs conversam tendo o cachorro e, sem ele, não conversariam. Mesma coisa com a moto.


  2. Caraca, Bodas! Seu texto tá dizendo tudo! Apesar de morar numa cidade pequena, não conheço meus vizinhos e isso é muito ruim. Acho que vou passear com meus cachorros pelo bairro…


  3. Eu me considero uma pessoa social. E adoro isso!
    Em cidade do interior é bem comum essas coisas mesmo, é muito acolhedor.
    Mas você tem razão, basta ter um animal de estimação para a coisa mudar totalmente de figura. E eu nem preciso estar com a Nany na rua para puxar papo com alguém que esteja passeando com seu cão.
    Mas vc já viu o contrário? Comigo já aconteceu, de eu puxar “papo” com o bichinho e o dono ou a dona não gostar, sabe? Mas acabam ficando tão sem graça, pq o bichinho sempre faz festa e tal, que conversam mesmo assim.
    É de se pensar mesmo, porque não oferecemos um café para os nossos vizinhos, não é?
    Adorei!
    Beijos!


  4. Nunca vivi isso, essa coisa de cidade pequenina… pois Poços é bem grandinha. Nem no meu bairro em Poços. Tudo bem que, ao menos, conheço os nomes dos vizinho dos lados e de frente. E só.
    E, dependendo das perguntas que o outro me faz, acho uma intromissão desrespeitosa.
    Será meu jeito paulista que está no sangue?

    Enfim.
    Sair com a Lilo é uma graça. E sempre converso com os donos de outros cachorros. E, às vezes, até falo “oi” para transeuntes sem cachorros. Não acho que isso esteja dentro de mim (falar oi tudo bem, mas puxar papo não). Isso, foi ter um cachorro que me abriu a alma, digamos assim.
    Viva os cachorros!!


  5. Eu sou contra barreiras!
    A Lilo ajuda a quebrar algumas.
    Mas o texto foi bem gostoso de escrever!


  6. Foi o primeiro texto, após muito tempo, que vc relamente curtiu escrever, né? Que saiu da cachola, como vc gosta!
    Que venham vários outros!
    Sim! Foi sim!

    Mas esse comentário deveria ser dado primeiro se o objetivo era os outros lerem!



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