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War Rio

30 novembro, 2007

apologia?

A impunidade banaliza a violência que a injustiça social patrocina – e a passividade mantém tudo em seu lugar. Usar de irreverência para discutir assuntos sérios é uma estratégia de atingir mais pessoas, e de mobilizar os meios de comunicação para debater o que não deve ser apenas noticiado.

o lançamento do ano

 

guerra na cidade maravilhosa

Rio de Janeiro, dezembro de 2007.

Depois de décadas de abandono e desprezo por parte das autoridades, a cidade do Rio de Janeiro finalmente encontra-se em guerra. Enquanto os políticos discursam para uma classe média desinteressada, esquadrões de extermínio, grupos paramilitares, policiais e narcotraficantes disputam o controle da capital.

O cenário disfarça, mas a realidade não engana. Entrecortada por montanhas, florestas e lindas praias tropicais, o couro come nas ruas da cidade. Em alguma esquina do centro, na favela ou nas ruas do bairro, sorrateiramente o dinheiro troca de mão e a arma troca de lado.

os blindados tomam os guetos
e os milicianos controlam o gás,
o bacana aperta a mutuca
e o vagabundo trabalha em paz.
a piranha exerce tranqüila
a mais antiga profissão,
já deixou um galo pro cana,
no esquema do cafetão.
o bicheiro festeja o caixa
no orçamento do carnaval,
na cidade maravilhosa
só não falta é cara de pau.

Nesse tabuleiro sem regras é preciso sorte.

o projeto

O objetivo do projeto é gerar uma discussão através de uma proposta cínica de diversão.

Pegando carona no fenômeno de massa ‘A Tropa da Elite’, a idéia é perguntar ao cidadão carioca se ele acha que esse tipo de entretenimento combina com pipoca ou com uma reflexão profunda sobre a realidade de sua cidade.

Por outro lado é também um jogo bem planejado e realizado: uma paródia irresistível para os amantes do clássico e politicamente incorreto passatempo de guerra. No lugar de invadir Moscou, conquistar a África ou aniquilar os exércitos brancos, que tal invadir a Cidade de Deus, conquistar a Baixada ou eliminar o Comando Vermelho?

War in Rio é reflexão e entretenimento canalha.

o início

A idéia de montar um tabuleiro de War com o mapa da própria cidade já deve ter passado pela cabeça de todo apaixonado pelo jogo. Morando no Rio de Janeiro, a realidade insiste em te convencer de que essa idéia não só é viável, como provavelmente já foi executada pelos poderes oficiais e paralelos que administram o espaço urbano.

Apesar de ter sido idealizado há cerca de 3 anos, o projeto encontrou na tecnologia de mapeamento via satélite uma ferramenta extremamente útil para a criação do tabuleiro.

Além disso, o momento tornou-se oportuno por aproveitar o sucesso do filme ‘Homens de Preto’ estrelado por Will Smith no papel de capitão Nascimento. No filme o soldado pai de família é encarregado de combater os ‘aliens’ da Puc utilizando métodos pouco convencionais.

tabuleiro

O principal desafio por trás da criação do tabuleiro foi manter na versão alternativa a mesma dinâmica do jogo original. Para isso, a distribuição dos territórios e as fronteiras estabelecidas entre as favelas do Rio de Janeiro precisavam encontrar paralelos com as divisões existentes no tabuleiro mapa-múndi.

Para manter a equivalência com os continentes, foram criados setores respeitando as áreas geopolíticas da cidade do Rio de Janeiro. O contorno dessas áreas é arbitrário, mas apresenta relativa fidelidade com o mapeamento da cidade. As regiões criadas foram Zona Sul, Zona Oeste, Central, Zona Norte, Av. Brasil e Baixada Fluminense.

Com o auxílio do mapeamento via satélite (google map), os setores foram divididos em regiões menores, onde uma favela era escolhida para nomear o território. Dessa forma cada favela equivale exatamente a um território do mapa-múndi, e teve seu contorno determinado pelas fronteiras que precisava apresentar na estrutura do jogo.

O tabuleiro projetado oferece informações sobre a localização aproximada das favelas do Rio de Janeiro, apresentando de forma educativa regiões pouco conhecidas por muitos moradores da cidade.

War in Rio é cultura.

exércitos

Diferente do War original onde os jogadores escolhem apenas as cores com que pretendem jogar, no War in Rio os participantes têm a fantástica possibilidade de escolher os exércitos de acordo com os grupos armados que utilizarão. Isso permite que os jogadores se envolvam ainda mais na partida, defendendo suas equipes de acordo com seus ideais.

(para que a partida possa chegar ao final, recomendamos que seja estabelecida uma pequena distinção entre realidade e entretenimento)

O BOPE é representado pelos exércitos pretos, o Comando Vermelho (CV) pelos exércitos vermelhos, a Polícia Militar (PM) é representada pelos azuis, as Milícias os exércitos brancos, o Terceiro Comando (TC) os exércitos verdes e os Amigos dos Amigos (ADA) ficaram com os amarelos.

regras

As Regras do jogo se mantiveram inalteradas, e constituem os mesmos princípios morais comercializados em lojas infantis: matar, destruir, conquistar e aniquilar seus amigos.

War in Rio é amizade.

baralho

O baralho da versão War in Rio foi inteiramente reconstruído. As cartas de territórios apresentam em destaque a imagem da favela e a indicação da região a que pertence, enquanto no verso foi aplicada a identidade criada para o projeto. Assim como o tabuleiro, o conjunto mantém exatamente a mesma estrutura do jogo original, respeitando também a equânime distribuição dos elementos bauhausianos utilizados nas trocas: bola, triângulo e quadrado.

objetivos

Os objetivos do jogo foram adaptados para a realidade violenta do cotidiano carioca. No lugar de conquistar continentes do além-mar, o jogador tem a possibilidade de arquitetar a invasão dos lugares que mora e trabalha, ou de locais que costuma ver em destaque no telejornal.

Por exemplo: é possível que o jogador tenha que ‘conquistar na totalidade as favelas localizadas na BAIXADA FLUMINENSE e as favelas da ZONA SUL’, ‘conquistar 24 favelas à sua escolha’ ou ‘eliminar as MILÍCIAS da cidade do Rio de Janeiro’.

Para inspirar os participantes, acrescentamos ao objetivo uma frase do líder revolucionário Emiliano Zapata: ‘Es mejor morir de pie que continuar viviendo de los rodillos’, que em português pode ser traduzida como ‘põe na conta do Papa’.

agradecimentos

A Leonardo Conrado pelas fotografias, e aos parceiros de War: Xande, Duda, Ricky, Rodrigo e Ricardo – pelo patrocínio e excelente companhia ao longo desses anos. A todos vocês que acreditaram nesse projeto… que merda, hein? 😀

contatos

Se você gostou da idéia e tem comentários ou sugestões a fazer, entre em contato através do e-mail: warinrio@yahoo.com.br

Texto, imagens e tudo mais copiado na cara dura de :

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8 comentários

  1. Que loco, hein??
    Adoro War!! E esse é, infelizmente, bem realista…


  2. Eu IA fazer um post sobre esse jogo. :/


  3. Tenho uma confissão a fazer: Nunca joguei War O.o


  4. Menino, quando vi esse jogo fiquei doida pra ter um! Adoro jogar War e esse aí é especial pra mim, visto que sou do Rio e sofro com a violência…


  5. Tenho que confessar que tb nunca joguei War!
    Podiamos marcar um dia pra jogar hem!
    Afinal temos eu e a fefa que nunca jogaram e trotta e má que já!
    Ia ser divertido eu acho!
    Quem sabe até a clau vêm jogar com a gente!


  6. apologia, e não mudo de opinião

    como a folha teen publicou isso O>o


  7. Adoro War. E não considero o jogo apologia não. Afinal, a violência e o crime organizados existem, com ou sem o jogo.


  8. Não acho que é um jogo que devia ir para as ruas para venda… não acredito que tenha sido esse o objetivo.

    Não acredito ser apologia.
    Não da maneira que esta apresentado em “http://jogowarinrio.blogspot.com/”. Não posso falar nada pela maneira como deve ter sito apresentado pela Folha teen.

    Querer ter o jogo…?
    hauhauhauahuahuah(meu preconceito me faz achar idióta alguem que quer fazê-lo. Mas pensando melhor… Brincar de policia e ladrão na minha infancia era uma das favoritas, e eu adorava ser ladrão. Isso não me tornou um, como jogar Counter Strike mais tarde de preferencia como “CT”(policia) no cenario Rio de Janeiro(“favela”) não me tornou policial.

    Como ouvir bob marley não fez de mim maconheiro.

    Pensando bem eu assistia Formula 1 e hoje sou fumante… (ops… esse vicio eu comecei quando ja não gostava mais da assistir corridas.)



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