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Caixa Econômica Federal economiza R$ 232,9 milhões em licitação de fábrica de software

7 março, 2008

:: Luiz Queiroz
:: Convergência Digital :: 04/03/2008

A Caixa Econômica Federal conseguiu economizar nesta terça-feira, (04/03), R$ 232.978.210,00 em cinco dos oito lotes da licitação 001/2007, que visa contratar uma fábrica de software. Também quebrou uma hegemonia, até então, conferida para empresas de Brasília. A maioria dos lotes foi vencido por empresas de fora da capital federal.

Obviamente, as empresas brasilienses não estão satisfeitas com os resultados e já ameaçam tentar impugnar a licitação da CEF no Judiciário. No mercado, ao longo do dia, comentava-se que o consórcio formado pela B2Br (do Grupo TBA) e a indiana Tata, iriam recorrer da pontuação técnica recebida que, praticamente, as inabilitou no processo.

A verdade é que ao longo de 2007, a CEF foi obrigada a conviver com todo tipo de troca de acusações entre os concorrentes desta licitação. No fim, rejeitou uma série de pedidos de impugnação. Mais: Numa manobra relâmpago apresentou nesta segunda-feira (03/03), a classificação técnica e, em seguida, nesta terça, abriu os envelopes com as propostas de preços dos cinco primeiros lotes, referentes ao desenvolvimento de novas soluções para o banco oficial.

A empresa DBA Tecnologia da Informação, com sede no Rio de Janeiro e no mercado desde 1988, levou três dos cinco lotes abertos nesta terça-feira pela CEF.

No item 1 (DESENVOLVIMENTO IDMS), a empresa ofereceu R$ 28.531.040,00 pelo serviço. O preço estimado em edital era de R$ 43.510.020,00. Impôs uma derrota para a Politec Informática – uma das maiores empresas de TI de Brasília – ao apresentar um preço R$ 10.556.080,00 inferior ao da concorrente brasiliense (R$ 39.087.120,00).

A empresa carioca ainda conseguiu vencer os itens 3 e 5 do edital da Caixa:

– Item 3 (DESENVOLVIMENTO PLATAFORMA BAIXA E INTERMEDIÁRIA): Preço estimado em edital: R$ 141.120.000,00. A DBA Tecnologia ofereceu um preço de R$ 59.913.600,00. Mais uma vez desbancou a Politec, que ofereceu R$ 71.757.600,00. Uma diferença de R$ 11.844.000,00.

– Item 5 (DESENVOLVIMENTO WEB (INTERNET/INTRANET/EXTRANET): Preço estimado em edital: R$ 7.370.000,00. A DBA ofertou um total de R$ 5.231.050,00. Neste item desbancou o consórcio CI&T cujo preço apresentado foi de R$ 5.753.000,00. Uma diferença de R$ 521.950,00.

Surpresa

Criada em 1987, o Grupo Stefanini atua nos segmentos de Consultoria, Networking, Training, Gestão Empresarial (SGE), Quality Tools, com filiais na Argentina, México, Peru, Chile, além da Colômbia. O Grupo conta ainda com as subsidiárias Stefanini Internacional Corp (USA) e Stefanini Europe (S.L).

Nesta terça-feira, a empresa surpreendeu quando apresentou seu preço para o item mais caro da licitação da Caixa – o de número 2 (DESENVOLVIMENTO DB2) – cujo edital estimava em R$ 242.142.720,00. A empresa ofereceu um preço de R$ 127.697.920,00, batendo a concorrente DBA Tecnologia da Informação, que apresentou um lance de R$ 137.889.280,00. Uma diferença de R$ 10.191.360,00.

Por fim, restou à Politec, uma empresa brasiliense que poucas vezes sofreu uma derrota tão fragorosa, ficar com o lote de número 4 (DESENVOLVIMENTO MUMPES/CACHE), cujo valor estimado em edital era de R$ 16.464.000,00. A Politec ganhou com um preço de R$ 11.604.600,00. Ainda assim foi por pouco, pois a concorrente DBA chegou bem próximo de roubar mais este contrato, ao apresentar um valor de R$ 11.698.540,00. Significa uma diferença de apenas R$ 93.940,00.

Divergências

Os resultados desta licitação ainda devem render ações judiciais mesmo antes de a CEF abrir as propostas de preços dos Itens 6 (MÉTRICA); 7 (TESTES, QUALIDADE E AUDITORIA) e 8 (SUPORTE TÉCNICO AVANÇADO).

Durante esta terça-feira, sob o impacto dos cinco lotes iniciais, já se comentava que o consórcio Conexão, formado pelas empresas (B2BR- do Grupo TBA e a indiana Tata), estudavam entrar na justiça para impugnar a licitação. O consórcio perdeu muitos pontos na habilitação técnica. Assim como seus preços não contribuíram para melhorar a posição do consórcio diante dos concorrentes.

De toda forma, a Caixa Econômica Federal conseguiu outro fato histórico na gestão da Vice-presidente de TI, Clarice Copetti: Quebrou a hegemonia de grandes empresas de Brasília nos contratos do banco oficial. A executiva já enfrentou todo o processo de migração da rede lotérica que estava concentrada nas mãos da multinacional Gtech e, agora, tirou um dos maiores contratos “cativos” da Politec na capital federal.

Resta saber como os sindicatos reagirão doravante com a saída da Politec da Caixa Econômica Federal. Isso porque espera-se que a empresa pague milhões em indenizações para funcionários que perderão o emprego, diante da chegada da nova fábrica de software.

Se você leu até aqui pode e com razão estar se perguntando qual o motivo ou no que isso impacta na minha vida. E esta pergunta é fácilmente respondida.
Como prestador de serviços na CEF eu trabalho para uma empresa licitada. E apesar desse resultado não ser ainda da minha área (teste, qualidade e auditoria) mostra algo no mínimo preocupante para os prestadores.
Todos os itens já fechados atingiram um preço muito abaixo do previsto pela Caixa.
O que leva a pensar numa relação simples, quanto menos dinheiro eu tenho, menos eu tenho para repassar, pagar funcionários e assim por diante. Então no final das contas podem haver ou vários cortes e contratação de mão de obra mais barata ou achatamento de salários… E essa realidade têm uma grande chance de acontecer também na minha área…
É esperar para ver, no meu caso tenho alguma segurança (ou penso ter) por que realizo um serviço e conheço ferramentas especiais para a Caixa além de ter uma boa relação com pessoal dentro do cliente.

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5 comentários

  1. Ai, que isso é aflitivo!
    Espero que fique tudo bem pra você!


  2. Ah, vc tem segurança sim! Vai ficar tudo bem! Se Deus quiser!


  3. Vc só esqueceu de citar o pior corte que pode acontecer decorrente disso… o CORTE DE CABELO! O.o Será que vai ser necessário?


  4. A Caixa não possue funcionários dela trabalhando com TI?


  5. Essa mudança impactará de maneira significativa os dois lados, tanto da empresa que presta serviço quanto para a Caixa.
    De qualquer maneira é um passo importante rumo a democratização na distribuição de serviços entre as demais empresas que tenham a mesma qualidade de serviço mas que muitas vezes não tinham como concorrer com empresas gigantescas.



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