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Crime, eficiência ou abuso?

16 julho, 2008

O que está realmente diminuindo os números de acidentes no Brasil?
A mídia como um todo está colocando toda a responsabilidade deste resultado, destes números, na LEI SECA.
A Lei Seca está aí: nela, se você comer alguns bombons de licor, sair de carro e der a “sorte” de cair em uma blitz, será multado, pois ela não permite nenhum grau de álcool no sangue. Anteriormente a ela já havia uma lei, onde se estipulava um mínimo de consumo de álcool aceitável (6dg de álcool/l), que equivalia mais ou menos a duas tulipas de chopp, ou uma taça de destilado_ tal valor já era um dos mais rigorosos dentre os demais países do mundo; nos Estados Unidos e em alguns países da Europa a taxa permitida é maior.
Esta lei é antiga, mas nunca foi monitorada da mesma forma que está sendo hoje.
Este é o ponto importante que quero levantar: se todo este esforço fosse feito antes desta nova lei, já com a anterior provavelmente o resultado seria o mesmo.
O que realmente move o brasileiro é o bolso e/ou o medo da cadeia.

A Lei Seca só está “pegando”, sendo seguida porque a lei está sendo realmente cobrada.
Se a polícia não estivesse fazendo esta monitoração e acompanhamento tão intensivo do cumprimento da lei, ela estaria como a anterior: existe, mas ninguém respeita.

Uma coisa à parte, mas que me incomoda bastante, é a posição dos comunicadores, dos jornalistas em geral.

Todos estão com uma postura absurda, como a postura de usar a pedofilia como desculpa para monitorar toda a Internet.
O problema não é beber com moderação, mas sim beber em exagero.
O problema não é o usuário comum da Internet, mas sim o pedófilo que deturpe o uso da rede.
O que está acontecendo em ambos os casos é a inversão de valores, a punição do inocente em virtude do criminoso.

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6 comentários

  1. Adorei esse post!
    Principalmente a parte final.
    Acho que, com o grau alcoólico permitido na lei anterior, mas com a fiscalização eficaz de agora, o resultado positivo seria o mesmo!!
    É mais uma lei pra inglês ver…

    Fora que um advogado que se recusou a fazer o teste do bafômetro já conseguiu uma liminar: não foi preso e nem vai pagar a multa! É o início do fim!


  2. Apoiado!


  3. Sorria, meu amigo, você está no meu post de hoje!
    Um abraço!


  4. Bodas,

    já que eu tenho mania de ser do contra, vou discordar (um pouquitito) de você. Vamos lá: se você está alimentado, saudável, hidratado e comer dois bombons de licor, depois de uma hora seu organismo já metabolizou. A não ser que você seja pego no bafômetro na primeira hora, pode comer seu bombom em paz. Se o bafômetro acusou, é porque tem álcool no seu organismo. E isso interfere no reflexo, mesmo que seja um pouquinho.

    O maior problema, hoje, é definir o que é “exagero”. E aí eu fico pensando se essa lei (dita) seca realmente é tão ruim: vai lá a propaganda de cerveja e diz “aprecie com moderação”. Mas não fala o que é moderação. Uma latinha, duas, três? O álcool age diferente em diferentes organismos, então não tem como definir. Num cenário desses, é melhor falar “bebeu, não dirige”. Simples assim. Pode ser uma atitude muito tutelar do estado, mas pelo menos impede que alguém ache que é mais tolerante ao álcool do que realmente é e saia fazendo ca**da por aí.

    Ninguém tá proibido de beber. Nem de dirigir. Estamos proibidos de fazer as duas coisas juntas. E as estatísticas (anteriores) de presença de álcool em atendimentos de trauma dão suporte pra lei, infelizmente.

    É lógico que se o limite anterior fosse fiscalizado, essas estatísticas seriam bem menos assustadoras. É lógico que se, amanhã ou depois, pararem de fiscalizar, a coisa vai degringolar de novo. Mas eu espero sinceramente que não parem. A gente vive duas culturas muito perigosas sozinhas, mais perigosas ainda juntas: a cultura do carro e a cultura do álcool. Se a melhor forma de parar com essa associação é impedir a galera de tomar uma lata de cerveja e dirigir, que seja assim…


  5. Os números mostram que os acidentes diminuiram sim. A fiscalização tem sido bem rigorosa e tudo o mais. Mas em compensação tomar uma cervejinha com os amigos tem sido motivo de dor de cabeça em alguns casos e não mais prazeroso.
    Eu apoio medidas para diminuir os acidentes, são não concordo com o exagero.


  6. Cara, esse post foi excelente. Eu tenho a mesma opinião e tenho dito isso desde que os primeiros números saíram: o que está diminuindo o número de acidentes não é a “tolerância zero”, e sim a FISCALIZAÇÃO que está finalmente sendo feita de forma intensiva. Não precisava ter mudado em nada o limite de álcool no sangue: era só ter aplicado essa fiscalização antes. Mas é claro que, com a tolerância zero, o valor EM MULTAS que estão arrecadando é muito maior……..



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